A exposição "Línguas africanas que fazem o Brasil" sob a ótica do curador
O músico e filósofo Tiganá Santana compartilha como buscou demonstrar pela arte as diferentes formas de influência das línguas africanas no vocabulário brasileiro
Por Secom
A concepção da exposição "Línguas Africanas que fazem o Brasil", em cartaz até 18 de janeiro no Centro Cultural TCU, em Brasília (DF), veio de um convite do Museu da Língua Portuguesa de São Paulo, ao músico e filósofo Tiganá Santana. A ideia era traduzir a presença das línguas africanas na cultura brasileira.

Ao aceitar o convite, o curador da mostra, que reúne diferentes obras, objetos e projeções, explica que a exposição foi planejada para que o público vivenciasse, se reconhecesse e refletisse sobre as línguas africanas na cultura brasileira. "As obras evidenciam a forte contribuição das línguas e culturas africanas, como o quimbundo, o quicongo, o umbundo, o iorubá e o fon para a consolidação da nossa identidade e das características da língua portuguesa falada no Brasil", comenta Santana.
Empenhado em traduzir a presença das línguas africanas na cultura brasileira, o curador da exposição conta o porquê da escolha do nome da mostra. "Então, eu decidi chamar essa exposição de "Línguas Africanas que fazem o Brasil", trazendo, portanto, a materialidade dessa presença. Mais do que a gente pensar, talvez, em influência dessas línguas, mas a presença, a participação efetiva, tanto pretérita, fazendo parte da história da cultura brasileira, da formação do povo brasileiro, quanto presente. E ainda, claro, por muito tempo por vir", declara.

A exposição recebe o público com palavras oriundas de línguas africanas impressas em estruturas ovais de madeira penduradas pela sala. Estão destacadas palavras como bunda, marimbondo, dendê, canjica, minhoca e caçula. "Ao mesmo tempo que a gente quer mostrar ao público que falamos uma série de expressões e estruturas que remontam a línguas negro-africanas, também desejamos revelar de que maneira isso acontece. Por que falamos caçula e não benjamim? Por que dizemos cochilar e não dormitar? Essas palavras fazem parte de nosso vocabulário, da nossa vida, do nosso modo de pensar", afirma.
O curador ainda explica que a exposição é um ponto de partida para mostrar, por meio da arte, que há o desafio de trazer um conjunto de informações para um público mais amplo. Além disso, outro desafio é fazer com que a exposição dialogue com pessoas de variadas idades e diferentes repertórios.
A exposição "Línguas africanas que fazem o Brasil" fica aberta ao público até o dia 18 de janeiro de 2026, e é um convite a conhecer parte da ancestralidade da língua portuguesa falada no Brasil, com suas nuances e riquezas ainda desconhecidas pelo público.

Confira o que diz o curador Tinganá Santana sobre a mostra "Línguas Africanas que fazem o Brasil"
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