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O Centro Cultural do TCU recebe a exposição "Instante – cores gravadas de Tomie Ohtake"

A exposição conta com um conjunto de 70 obras e evidencia a experiência da artista com a técnica milenar de gravura
Por Secom TCU
15/02/2019

No dia 19 de fevereiro, o Espaço Cultural Marcantonio Vilaça realizará a abertura da exposição que apresenta um panorama da obra de Tomie Ohtake, recorte de quase meio século de sua prática em gravura. A mostra é organizada em parceria entre o Instituto Itaú Cultural e o Instituto Tomie Ohtake. A visitação acontecerá entre os dias 20 de fevereiro a 4 de maio. A entrada é franca.

A exposição ‘”Instante – cores gravadas de Tomie Ohtake” contará com cerca de 70 obras que evidenciam como a gravura sempre foi um campo inesgotável de experiências para a artista. Experimentalismo incomum para a técnica milenar, a obra em gravura de Tomie surpreende não só pela inovação, como também por uma fecunda produção que resultou em centenas de séries.

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Gravura em metal

A artista dominou a técnica da gravura quando já era uma consagrada pintora, no final dos anos 60, utilizando-se da serigrafia e da litografia. Porém foi na gravura em metal, a partir de 1987, que encontrou a mesma liberdade do pincel e com a qual seguiu trabalhando. Tomie extraiu todo o proveito sugerido por esta forma de arte: fez uma série em que unia três gravuras de mesma imagem com cores diferentes, resultando em trabalhos com quase três metros de altura; recortou imagens e, ao colocá-las a alguns centímetros da parede, criou novas formas com a sombra produzida pela luz direta; inventou uma obra para duas paredes, trabalhos com dobra em ângulo reto, propondo novas perspectivas. Entre as várias composições reunidas na exposição, que apontam a potência de uma linguagem singular reinventada ao longo de cinco décadas (1969 – 2008), destaca-se ainda o álbum Yu-Gen (1997), composto por doze poemas de Haroldo de Campos, inspirados no Japão, traduzidos no campo plástico por Tomie. Uma obra realizada a quatro ãos, na qual os textos manuscritos pelo próprio poeta também viram imagens e contracenam em equilíbrio com os desenhos e cores criados pela artista.

As gravuras de Tomie ganharam reconhecimento internacional a partir de 1972, quando foi convidada a participar da sala Grafica D’Oggi na Bienal de Veneza - exposição que contou com a presença dos mais importantes artistas do mundo, como os norte-americanos da Pop Art -, além de sua participação na Bienal de Gravura de Tóquio, em 1974, tradicional mostra internacional desta técnica. 

Com a sua obra - pintura, gravura e escultura - fundada no abstracionismo informal, Tomie criou um universo de imagens em suspensão e, conforme Merleau-Ponty aponta em O visível e o invisível, nem tudo pode ser desvelado pela consciência perceptiva, pois há sempre o invisível, o oculto. E é justamente neste “intermundo” que flutuam os traços, as cores e as formas inventadas por Tomie.

 

 

 

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Tomie Ohtake contabiliza em seu currículo mais
de 120 exposições individuais,
quase quatro centenas de coletivas e 28 prêmios.

TOMIE OHTAKE

A carreira de Tomie Ohtake (Kyoto, Japão 1913 – São Paulo, Brasil, 2015) atinge plena efervescência a partir dos seus 50 anos, quando realiza mostras individuais e conquista prêmios na maioria dos salões brasileiros. Participou de 20 Bienais Internacionais (seis de São Paulo, uma das quais recebeu o Prêmio Itamaraty, Bienal de Veneza, Tóquio, Havana, Cuenca, entre outras), contabiliza em seu currículo mais de 120 exposições individuais (em São Paulo e mais vinte capitais brasileiras, além de cidades como Nova York, Washington DC, Miami, Tóquio, Roma, Milão, etc), e quase quatro centenas de coletivas, entre o Brasil e o exterior, além de 28 prêmios. 

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Gravura sobre metal presente na
exposição de Tomie Ohtake.

A obra de Tomie destaca-se tanto na pintura e na gravura, quanto na escultura. Marcam ainda a sua produção as mais de 30 obras públicas desenhadas na paisagem de várias cidades brasileiras como São Paulo (Av. 23 de Maio, 1988; Anhangabaú, 1984; Cidade Universitária, 1994, 1997 e 1999; Auditório Ibirapuera, 2004; Auditório do Memorial da América Latina, 1988; Teatro Pedro II em Ribeirão Preto, 1996; Av. Paulista, 2017, entre outros locais), e Belo Horizonte, Curitiba, Brasília, Araxá, Ipatinga, entre outras, feito raro para um artista no Brasil. Entre 2009 e 2010, suas esculturas alcançaram também os jardins do Museu de Arte Contemporânea de Tóquio e a província de Okinawa, no Japão e em 2012, foi convidada pelo Mori Museum, em Tóquio, a produzir uma obra pública.  

Tomie levou a sua arte para outras frentes. Criou dois cenários para a ópera Madame Butterfly, o primeiro em 1983, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, e o segundo em 2008, no Teatro Municipal de São Paulo. Foi convidada a criar obras para prêmios e comemorações, como por ocasião do centenário da imigração japonesa, em 2008, quando concebeu a monumental escultura em Santos e a do Aeroporto Internacional de Guarulhos em São Paulo. Peças de pequenas dimensões, como o troféu da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, a homenagem-prêmio para a Fórmula 1, utilizando a pedra do pré-sal (2011), cartazes, ilustrações de livros e periódicos, medalhas e objetos para laureados de muitos eventos fazem também parte de sua diversificada produção. Sobre o seu trabalho foram publicados livros, inúmeros catálogos e filmes/vídeos, entre os quais o realizado pelo cineasta Walter Salles Jr.

Em 2012, além da obra pública para Tóquio, criou uma série de pinturas azuis, nas quais, mais uma vez, ficava evidente o seu interesse em se renovar, ao inventar uma nova pincelada – a pincelada como forma, sem que a tela perca o movimento e a profundidade característicos de sua produção. Em 2013 Tomie Ohtake chegou aos 100 anos, comemorados com 17 exposições pelo Brasil, com destaque para as do Instituto que leva o seu nome, Gesto e Razão Geométrica, com curadoria de Paulo Herkenhoff no mês em que completou cem anos (novembro) e Tomie Ohtake Correspondências e Influxo das Formas, ambas com curadoria de Agnaldo Farias e Paulo Miyada, em fevereiro e agosto respectivamente. Em dezembro de 2014, a cineasta Tizuka Yamasaki lançou o documentário Tomie, que retrata com afetividade e delicadeza o universo da artista, mesclando momentos íntimos de Tomie com depoimentos dos críticos Paulo Herkenhoff, Agnaldo Farias e Miguel Chaia.

 

PROGRAMA EDUCATIVO DO TCU

O Programa Educativo do Tribunal de Contas da União, consiste em um projeto específico de atendimento ao público em seus dois espaços expositivos: Museu do TCU Ministro Guido Mondim e Espaço Cultural Marcantonio Vilaça. Atendemos grupos e escolas com agendamento prévio.

Abertura: 19 de fevereiro de 2019 às 19h

Visitação: 20 de fevereiro a 4 de maio, de segunda à sexta de 09 às 19h.

Local: Centro Cultural TCU – Instituto Serzedello Corrêa – SCES Trecho 3, Lote 3, Brasília – DF

Entrada Franca

Agendamento de visita das escolas: (61) 3316-5221

Maiores informações: (61) 3316-5874

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