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Especialistas debatem desafios para proteger crianças e adolescentes na internet

Evento promovido pelo TCU reúne representantes do governo, sociedade civil e setor privado para discutir aplicação do ECA Digital e atuação dos órgãos de controle

Por Secom

O Tribunal de Contas da União (TCU) realizou, no dia 20 de outubro, o evento "Conectar é preciso, proteger é essencial: o ECA Digital e a segurança de crianças e adolescentes no ambiente digital". O encontro reuniu representantes do governo, da sociedade civil e do setor privado para discutir a implementação do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital) e a proteção desse público na internet.

Durante as palestras e o painel de especialistas, discutiu-se a verificação de idade nas plataformas digitais, a proteção de dados pessoais, a supervisão dos pais e responsáveis e a prevenção do acesso de crianças e adolescentes a conteúdos prejudiciais. Os participantes também apresentaram sugestões sobre formas de atuação do TCU e de outros órgãos de controle na fiscalização das políticas públicas relacionadas ao tema.

O que é o ECA Digital?

Criado pela Lei 15.211/2025, o ECA Digital estabelece medidas para ampliar a proteção de crianças e adolescentes na internet. Entre as medidas estão mecanismos de verificação de idade, ferramentas para que pais e responsáveis acompanhem o uso das plataformas, proteção de dados pessoais e providências para reduzir a exposição a conteúdos prejudiciais. A legislação também estabelece responsabilidades para empresas que oferecem produtos e serviços digitais utilizados por crianças e adolescentes ou de acesso provável por eles.

O TCU acompanha a regulamentação e a aplicação da lei, com atenção à atuação dos órgãos federais responsáveis por colocar as medidas em prática e fiscalizar seu cumprimento. O trabalho busca identificar riscos, falhas de comunicação entre as instituições e outros problemas que possam comprometer a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.

Da legislação à proteção efetiva

Na palestra "Pais conscientes, filhos protegidos", Christina Carvalho Pinto, presidente do Conselho da Ação Brasileira para a Consciência Digital (ABCD), chamou a atenção para os riscos enfrentados por crianças e adolescentes na internet, como o aliciamento, a violência sexual, o cyberbullying (intimidação e agressões praticadas pela internet) e a exposição a conteúdos violentos. "Sabemos que transformar a legislação em proteção efetiva é um desafio complexo e, nesse caso, urgente", afirmou.

eca digital -

A palestrante destacou a importância da presença dos pais e responsáveis na vida digital dos filhos. Segundo ela, além das ferramentas de proteção, é necessário fortalecer o diálogo familiar e ampliar o conhecimento sobre os riscos encontrados nas plataformas e nos jogos eletrônicos.

A diretora do Conselho Diretor da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), Miriam Wimmer, apresentou as principais mudanças trazidas pelo ECA Digital, como a exigência de adotar mecanismos confiáveis de verificação de idade e a oferta de ferramentas para que pais e responsáveis acompanhem o uso das plataformas.

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"Mas a ideia aqui, de novo, na lógica de uma responsabilidade compartilhada entre estado, sociedade e família, é também empoderar as famílias para que elas possam ter mecanismos efetivos, não de bisbilhotar a vida do jovem on-line, mas de controlar tempo de uso, de assegurar que não haja acesso a conteúdos que sejam inadequados, estabelecer limites, ter ciência do que está acontecendo", explicou.

O painel de especialistas "A idade importa: aferição, proteção e os dilemas do ECA Digital" aprofundou a discussão sobre os desafios técnicos e legais para garantir o cumprimento da legislação. Entre os temas debatidos estavam formas de verificar a idade dos usuários sem coletar dados pessoais em excesso e necessidade de considerar as diferentes condições de acesso à tecnologia no país.

Participaram do painel Lucas Borges, da ANPD; Fernanda Givizier, da Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (SNDCA), que integra o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC); Gabriel Barbabela, da Veriff, empresa estoniana especializada em verificação de identidade e prevenção de fraudes; Igor Luna, da Câmara Brasileira da Economia Digital (camara-e.net); e Rafael Zanatta, da Data Privacy Brasil.

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Os participantes também discutiram como os órgãos de controle podem contribuir para que as medidas previstas na lei funcionem na prática. Entre as sugestões apresentadas, estão:

  • · Ampliar a fiscalização nas escolas: incentivar os Tribunais de Contas estaduais a avaliar contratos de tecnologia utilizados na educação, com atenção à proteção dos dados de crianças e adolescentes.
  • · Acompanhar a atuação dos órgãos públicos: verificar se as instituições responsáveis pela aplicação do ECA Digital trabalham de forma coordenada, evitando ações repetidas e falhas na proteção.
  • · Avaliar a estrutura dos órgãos responsáveis: acompanhar se as instituições encarregadas de criar regras e fiscalizar o cumprimento da lei têm pessoal, recursos e condições adequadas para realizar suas atividades.
  • · Monitorar os resultados das políticas públicas: avaliar se as medidas adotadas estão contribuindo para a segurança de crianças e adolescentes e identificar o que precisa melhorar.

Os debates também destacaram a importância de preparar professores, conselheiros tutelares e profissionais de saúde para reconhecer situações de risco no ambiente digital. Outra recomendação foi incluir crianças e adolescentes na elaboração e na avaliação das políticas públicas, considerando suas experiências e necessidades.

Assista à gravação completa do evento no YouTube.

Serviço:

Secom: LB/pc

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