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Inclusão e direitos humanos pautam encontro entre tribunais de contas

Evento promoveu troca de experiências sobre equidade, cidadania e boas práticas no controle externo

Por Secom

O encontro Conecta Inclusão 2026 reuniu, no dia 17 de setembro, servidores de tribunais de contas de todo o país para discutir acessibilidade, inovação e inclusão no controle externo. O evento foi realizado no Tribunal de Contas do Estado de Goiás (TCE-GO), em Goiânia, e teve debates sobre liderança inclusiva, inteligência artificial, direitos humanos e boas práticas.

Representando o Tribunal de Contas da União (TCU), o procurador do Ministério Público junto ao TCU (MPTCU) Sérgio Ricardo Caribé conduziu a mesa "Boas práticas que transformam: experiência dos Tribunais de Contas em acessibilidade e inclusão". Os participantes compartilharam experiências sobre educação infantil, transporte urbano e ambiente de trabalho.

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O procurador considerou a realização do encontro uma oportunidade de aproximar os tribunais das políticas públicas desenvolvidas no Estado, dos gestores responsáveis e da população atendida. Ele lembrou que a mobilização sobre o tema no sistema de tribunais de contas ganhou impulso ao longo dos anos e que a discussão passou a integrar a cultura organizacional dessas instituições.

Caribé ressaltou a importância da participação direta de quem vivencia as barreiras. "Não há como tratar desse tema sem oportunizar o diálogo com as pessoas com deficiência ou com aquelas pessoas que as representam", afirmou.

Diretoria dedicada à inclusão

Durante a mesa, o auditor Paulo Malheiros destacou que o TCU possui diretoria dedicada a direitos humanos, equidade e inclusão, criada em 2023 para fortalecer e conferir maior estrutura à atuação do controle externo nesses temas.

Segundo ele, a criação da diretoria, somada à diretriz institucional de fortalecer o cidadão como foco da atuação do controle externo, contribuiu para ampliar a presença dos temas de direitos humanos, equidade e inclusão nos trabalhos do TCU. Como reflexo desse movimento, nos últimos três anos, o TCU realizou três vezes mais trabalhos sobre direitos humanos e equidade do que nos 12 anos anteriores.

O TCU também elaborou, em 2025, o referencial "O olhar do controle sobre a equidade em políticas públicas". A publicação orienta que, desde o planejamento das auditorias, os trabalhos incluam especificidades com recorte de equidade. A proposta é que os encaminhamentos estejam relacionados à solução dos problemas identificados e aos efeitos concretos das políticas públicas sobre os beneficiários.

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Participação das pessoas com deficiência

Malheiros apresentou trabalhos desenvolvidos pelo TCU sobre inclusão de pessoas com deficiência no serviço público federal.

No Acórdão 1278/2026-Plenário, o Tribunal avaliou o resultado da aplicação da política de cotas para pessoas negras e para pessoas com deficiência nos concursos públicos federais. A auditoria identificou falhas na transparência da política de cotas nos concursos públicos federais. Foram encontradas dificuldades na padronização para divulgação de editais, resultados e nomeações, o que dificulta acompanhar os resultados e aperfeiçoar a política.

Além disso, foram encontrados problemas no fracionamento de vagas para professores de universidades e institutos federais, na capacitação das comissões de heteroidentificação e na representatividade em comissões responsáveis por concursos. Essas situações podem reduzir a efetividade das cotas e gerar questionamentos administrativos e judiciais.

Já o Acórdão 1743/2026-Plenário avaliou se as pessoas com deficiência encontram, no ambiente de trabalho da administração pública federal, condições efetivas de acolhimento, acessibilidade, inclusão e desenvolvimento profissional.

O trabalho incorporou a escuta direta das pessoas com deficiência e adotou como referência o princípio "nada sobre nós sem nós". Ao todo, 873 pessoas responderam ao questionário, e as manifestações contribuíram para a construção dos achados e encaminhamentos da auditoria.

"Existem aspectos que a equipe de auditoria consegue olhar relacionados à conformidade de aplicação de normas, mas tem questões que só se podem identificar por meio de conversa direta com a pessoa que está vivenciando o problema", explicou Malheiros.

O trabalho identificou oportunidades de enfrentar o capacitismo, eliminar barreiras, fortalecer a governança da acessibilidade e ampliar a representatividade das pessoas com deficiência no serviço público.

Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência

O Conecta Inclusão 2026 foi realizado poucos dias antes do Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado em 21 de setembro. A data reforça a discussão sobre participação social, igualdade de oportunidades e garantia de direitos.

Ao comentar os desafios para a inclusão, o procurador Caribé chamou atenção para as barreiras atitudinais e a necessidade de incorporar essas questões ao planejamento de políticas, obras e serviços. Para ele, mudanças culturais são fundamentais para que as medidas adotadas produzam resultados efetivos.

Serviço:

Secom: MM/pc

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