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Notícias

Carta do Presidente da Olacefs - setembro de 2026

Prevenir para proteger: o papel das ISC frente aos desastres

Por Secom

olacefs - caebçalho

Escrevo em um momento de profunda comoção para nossa comunidade. Entre os dias 10 e 14 de agosto, deveriam ter ocorrido em Cali, na Colômbia, as Assembleias Gerais da Olacefs e da Efsul, além da Reunião do Conselho Diretivo da Olacefs, para realizar momentos de reencontro e de trabalho conjunto que aguardávamos com grande expectativa.

No entanto, um forte terremoto atingiu a região justamente no início dos trabalhos, o que forçou a suspensão das atividades institucionais. Apesar do susto, foi com alívio que recebemos a confirmação de que todos os representantes das Instituições Superiores de Controle (ISC) presentes estavam em segurança. Ao mesmo tempo, solidarizamo-nos com o povo colombiano e com todos os que, de alguma forma, foram afetados por este evento.

Episódios como este nos recordam, de maneira contundente, por que o tema dos desastres naturais deve ocupar um lugar central na agenda das ISC. Vivemos em uma região exposta a múltiplas ameaças naturais - sísmicas, climáticas, hidrológicas - que testam constantemente a capacidade de nossos Estados de proteger suas populações. Nesse contexto, as ISC são chamadas a avaliar se as políticas públicas de prevenção, mapeamento de riscos e redução de vulnerabilidades estão sendo efetivamente implementadas. É esse olhar preventivo, mais do que reativo, que permite transformar o controle externo em um instrumento de proteção à vida.

A própria Olacefs já reconhece a relevância do tema por meio do Grupo de Trabalho sobre Fiscalização da Gestão de Desastres no Marco dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (GTFD), que tem se dedicado a fortalecer as capacidades das ISC da região nessa área. Embora o GTFD esteja em fase de conclusão de suas atividades, abre-se a oportunidade de dar continuidade e, talvez, de incorporar essa agenda à Comissão de Infraestrutura e Transições Energéticas (Coinfra).

Esse esforço se soma às experiências relevantes que vários países vêm desenvolvendo. Argentina, Chile e Brasil, por exemplo, participaram recentemente de uma auditoria cooperativa global coordenada pela Iniciativa de Desenvolvimento da Intosai (IDI), em conjunto com o Grupo de Trabalho de Auditoria Ambiental (WGEA), voltada à avaliação das políticas de gestão de risco de desastres e adaptação às mudanças climáticas. Esses países evidenciaram fragilidades diversas, entre as quais se destacam lacunas de planejamento estratégico, ausência de mecanismos para priorizar grupos vulneráveis, planos regionais que não contemplam ameaças emergentes e modelos de atuação predominantemente reativos.

Nos próximos meses, a Olacefs seguirá trabalhando para fortalecer essa agenda, ampliando o intercâmbio de metodologias entre as ISC, incentivando auditorias cooperativas sobre gestão de riscos e disseminando boas práticas que ajudem nossos países a transitar de uma lógica de reconstrução para uma cultura efetiva de prevenção.

Aproveito para renovar meu agradecimento a todos os representantes das ISC da região pela compreensão diante do adiamento das assembleias e pela solidariedade demonstrada nesses dias. Seguimos confiantes de que, unidos, nossas instituições manterão a proteção da vida e do bem-estar dos cidadãos da América Latina e do Caribe no centro de sua missão.

Com estima e determinação,

olacefs - rodape