Pesquisa traça diagnóstico sobre maturidade da IA generativa no TCU
Com mais de 1,1 mil participantes, levantamento aponta que quase 90% dos servidores utilizam a tecnologia
Por Secom
A Inteligência Artificial (IA) generativa deixou de ser um campo de experimentação e passou a integrar formalmente a rotina de trabalho do Tribunal de Contas da União (TCU). É o que demonstra pesquisa interna realizada pela Secretaria de Tecnologia da Informação e Evolução Digital (Setid/TCU), respondida por 1.122 servidores e colaboradores do Tribunal. O diagnóstico revela que 88,1% dos participantes já utilizam ferramentas de inteligência artificial em suas atividades, sendo que 45,1% recorrem à tecnologia todos os dias.
Mais profundidade e ganho de tempo nas tarefas
Os dados indicam que a tecnologia atingiu patamar de maturidade no órgão: 78% dos usuários utilizam IA há mais de seis meses, e mais da metade (54,1%) a aplicam com alta frequência ou de forma totalmente integrada aos fluxos de trabalho.
Em termos de eficiência operacional, 64,5% dos respondentes que usam IA relatam uma redução de tempo superior a 30% na execução de tarefas rotineiras. Os benefícios, no entanto, vão além da rapidez:
- 39% apontam como principal ganho a ampliação da profundidade analítica (mais perspectivas e fundamentação);
- 32,7% destacam o ganho de qualidade incremental nas entregas técnicas;
- 13,9% valorizam a possibilidade de focar em atividades de maior complexidade e valor agregado, transferindo etapas repetitivas para as ferramentas;
- Apenas 11,4% consideram a velocidade isolada como o benefício central.
Os servidores avaliaram positivamente o impacto da IA sobre a qualidade técnica de seus trabalhos, com média de 3,96 numa escala de 1 a 5.
Ecossistema próprio e integração a soluções de mercado
Desenvolvido internamente pelo Tribunal para garantir segurança institucional e proteção de dados sensíveis, o ChatTCU desponta como a ferramenta mais utilizada, adotada por 76,6% dos servidores que usam IA na instituição. A plataforma opera em conjunto com outros modelos e ferramentas do mercado, como ChatGPT (68%), Copilot (60,9%), Gemini (52,3%) e NotebookLM (35,4%).
O perfil predominante no órgão é híbrido: 55,7% dos servidores combinam ferramentas institucionais e externas, enquanto 28% utilizam exclusivamente os assistentes corporativos homologados pelo Tribunal.
Entre as finalidades mais declaradas pelos técnicos estão:
- Elaboração e revisão de minutas e textos (75,7%);
- Pesquisas e consultas técnicas (59,8%);
- Geração de sínteses e resumos de processos (59,6%);
- Brainstorming e estruturação de ideias (51,7%);
- Análise processual (50,9%);
- Exame de dados (41,3%).
Supervisão humana e compromisso ético
Um dos pontos centrais avaliados pela pesquisa foi a governança e o controle humano sobre os resultados gerados por algoritmos. O comportamento dos servidores reflete cautela e responsabilidade institucional: 77,8% dos usuários declararam que sempre revisam integralmente o material produzido pela IA realizando conferência rigorosa de fontes e fatos antes de incorporar qualquer trecho a instruções, relatórios ou pareceres oficiais.
Esse compromisso ético se reflete no sentimento do corpo funcional em relação à inovação: 48,3% declaram-se otimistas com os avanços, enquanto 37,3% mantêm postura atenta e vigilante, focada na confiabilidade e precisão das informações.
Desafios e próximos passos
Ao tornar os dados públicos, o TCU também identifica lacunas a serem enfrentadas pela administração pública na era digital. Embora o indicador que mede a disposição dos servidores em recomendar o uso da IA a colegas (NPS) tenha ficado em 42,8 - patamar positivo e favorável ao aperfeiçoamento ¿, o levantamento apontou demandas prioritárias que estruturam a agenda de aprimoramento contínuo do uso da IA no Tribunal.
Agenda que se constrói a partir dos dados
A partir desses achados, o TCU trabalha em cinco frentes - governança e segurança, capacitação, evolução das ferramentas, cultura institucional e desenvolvimento de novas soluções com IA integrada por padrão. A pesquisa deixa de ser um retrato momentâneo e passa a ser instrumento permanente de gestão: novas edições anuais permitirão acompanhar a evolução da maturidade institucional e ajustar continuamente as ações.
Confira os resultados na íntegra
Veja abaixo o infográfico completo com o detalhamento das métricas e dados da pesquisa:
Serviço:
Secom: FF/pc
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