Pular para o conteúdo principal

Notícias

Professor do ISC lidera desafio nacional de inovação em acessibilidade

André Rauen detalha como foi sua participação em concurso que premiou soluções e destinou R$ 1 milhão para desenvolvimento de bengalas inteligentes que vão beneficiar pessoas com deficiência visual

Por Secom

professor isc

O docente do Instituto Serzedello Corrêa (ISC) André Rauen coordenou iniciativa nacional de inovação voltada ao desenvolvimento de tecnologias assistivas para pessoas com deficiência visual. O concurso de inovação "Desafio Bengalas Inteligentes" reuniu pesquisadores, empresas e startups de todo o país. O ISC é a escola superior do Tribunal de Contas da União (TCU).

Promovido pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) em parceria com o Governo do Paraná, o desafio foi estruturado ao longo de um ano e incluiu etapas de seleção, desenvolvimento e testes em ambiente real, com participação de usuários. Ao todo, 13 instituições foram contempladas com um total de R$ 2,8 milhões como apoio para avançar no desenvolvimento de suas tecnologias.

Três soluções de bengalas inteligentes foram as vencedoras do concurso. São os projetos das empresas Bia Radar, Sigma e Vereda, que dividirão R$ 1 milhão em prêmios " R$ 500 mil para o primeiro lugar, R$ 300 mil para o segundo e R$ 200 mil para o terceiro - destinados à evolução das tecnologias e à inserção no mercado.

À frente da coordenação técnica, Rauen foi responsável pelo desenho do modelo do desafio e pela condução das diferentes etapas da iniciativa, com foco na conexão entre inovação tecnológica e demandas concretas da população.

Desafio parte de problema real e pouco explorado

No Brasil, cerca de 6,5 milhões de pessoas têm algum tipo de deficiência visual, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desse total, aproximadamente 582 mil são cegas. Apesar de amplamente utilizadas, as bengalas tradicionais apresentam limitações importantes: permitem identificar obstáculos apenas abaixo da linha da cintura, deixando usuários vulneráveis a colisões com elementos suspensos, como placas e galhos - uma das principais causas de acidentes.

Foi a partir desse desafio que a iniciativa coordenada por Rauen buscou estimular o desenvolvimento de soluções capazes de ampliar a percepção espacial dos usuários, com foco em segurança, usabilidade e viabilidade de escala.

Escuta dos usuários redefiniu os rumos das soluções

Um dos principais diferenciais do projeto foi a participação direta de pessoas com deficiência visual no processo de desenvolvimento e avaliação dos protótipos. Segundo Rauen, essa escuta ativa foi determinante para ajustar as soluções às necessidades reais dos usuários.

"A equipe inicialmente apostava em dispositivos com múltiplas funcionalidades, como integração com celular, GPS e diferentes tipos de alerta. Mas os usuários mostraram que o excesso de informação poderia atrapalhar, e não ajudar", explica.

A partir dessas contribuições, critérios como peso, ergonomia e simplicidade de uso passaram a ter maior relevância na avaliação dos projetos. O processo também evidenciou aspectos que dificilmente seriam captados sem a vivência direta dos usuários, como a forma mais adequada de comunicação das funcionalidades.

Modelo amplia participação e acelera inovação

Para Rauen, o uso de prêmios de inovação - modelo adotado no desafio - permite ampliar o alcance das políticas públicas ao atrair perfis diversos de participantes. "A ideia é explorar o poder das massas. Diferente de outros instrumentos, o concurso não pré-seleciona interessados. Qualquer pessoa pode propor uma solução", afirma.

Segundo ele, esse formato é especialmente eficaz para enfrentar problemas complexos ou historicamente negligenciados, além de possibilitar o teste de abordagens não convencionais.

Impacto e próximos passos

Com os vencedores definidos, o projeto entra agora na fase de escalonamento das soluções, com apoio técnico e conexão a redes de inovação e oportunidades de fomento. A expectativa é que os protótipos evoluam para produtos efetivamente disponíveis no mercado, ampliando a autonomia de pessoas com deficiência visual no ambiente urbano.

Rauen destaca o potencial transformador da iniciativa. "Com uma equipe qualificada, organização e recursos relativamente modestos, é possível alcançar resultados expressivos. Mais do que desenvolver tecnologia, o desafio mostrou a importância de direcionar esforços para demandas reais da população", avalia.

Ele também defende a ampliação do uso desse tipo de instrumento no Brasil. "Quando as pessoas se envolvem, percebem que a política de inovação pode impactar diretamente sua vida cotidiana. Esse é o maior valor desse tipo de iniciativa¿, conclui.

Serviço

Secom: ISC/pc

Atendimento à imprensa - e-mail: imprensa@tcu.gov.br

Atendimento ao cidadão - e-mail: ouvidoria@tcu.gov.br