TCU e Udesc debatem inovação no quinto evento sobre participação cidadã no controle
Encontro trouxe troca de experiências sobre ações de engajamento da sociedade na fiscalização do uso de recursos públicos
Por Secom
O Tribunal de Contas da União (TCU), a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), por meio do grupo de pesquisa Politeia, e o Instituto Serzedello Corrêa (ISC) promoveram, na última terça-feira (30/6), o 5º Webinário Participação Cidadã. Com o tema Inovação no Controle: experiências de Tribunais de Contas e suas interações, o evento on-line foi o penúltimo encontro da série de reuniões virtuais promovidas pelo Tribunal e a universidade, desde março.
Os debatedores discutiram a inovação no controle público como motor de novas soluções em políticas públicas, por meio da participação cidadã. A mediadora Paula Chies Schommer, docente do curso de administração pública da Udesc Esag, introduziu o evento destacando que a inovação é uma característica da governança nas instituições públicas, tanto para alcançar resultados mais eficazes quanto para promover novos arranjos organizacionais ou ampliar o alcance dos seus resultados.
"Geralmente a inovação está associada ao uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), mas hoje se reconhece também a importância da experimentação, da aprendizagem, da participação cidadã e da cooperação interinstitucional como meios pelos quais desenvolvemos a inovação pública", explicou Paula.
Primeira painelista a falar, a auditora-chefe adjunta da unidade do TCU especializada em inovação no controle, Fabiana Ruas, contou sua experiência à frente do projeto "Cidadão no Controle", na área da educação, para ilustrar a relação da inovação com o controle externo. O caso relatado foi de 2025, quando uma equipe do TCU esteve em Petrolina (PE) para avaliar como alguns dos problemas identificados pelo Censo Escolar do MEC 2025, como a queda de matrículas no Ensino Médio e o aumento de matrículas no ensino integral, se refletiam na realidade daquele município.
Toolkit: escuta cidadã
Segundo Fabiana, após diálogos com cerca de 150 representantes da comunidade escolar, foi elaborado um questionário eletrônico, com recursos de Inteligência Artificial, sobre a realidade local. Em parceria com o Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE), o TCU conseguiu obter 3 mil respostas do público.
"Os dados são muito importantes, mas estamos trazendo uma nova camada, que é bem relevante para complementar a nossa percepção: a escuta cidadã. O grande desafio é traduzirmos isso em valor público, sabendo registrar, processar, buscar padrões e evidências", explicou Fabiana.

A auditora revelou, ainda, que o TCU fez uma parceria com o Pnud e desenvolveu um toolkit de ferramentas de escuta cidadã, justamente para aprimorar a capacidade de ouvir a sociedade.
Em seguida, o auditor federal de controle externo do TCU Henrique Ziller contou aos participantes como o projeto Juntos pelo Cidadão (JPC), que ele coordena na Secretaria de Relações Institucionais (SRI) do Tribunal, tem atingido seus objetivos. Ziller relatou que sua equipe já levou o projeto a 35 municípios e já monitorou 8 fiscalizações cívicas em unidades de saúde.
As ações são feitas em parceria com tribunais de contas dos estados e municípios. O time do TCU capacita cidadãos a se tornarem fiscais cívicos por meio de uma metodologia ágil e simples de utilizar. Além disso, monitora o resultado das fiscalizações cívicas e dialoga com gestores públicos para garantir que os problemas encontrados pelos cidadãos sejam corrigidos.
"Essa abordagem traz dados e informações que auditorias tradicionais não captam. A inovação nem sempre é trazer algo novo, pode ser uma nova forma de fazer algo antigo", definiu Ziller. "O Juntos Pelo Cidadão é uma resposta a um grande anseio da socidade por um estado que funcione. É a prova de que podemos transformar a realidade social no país, principalmente para aqueles que percebem que podem colaborar com as políticas públicas", concluiu.

O auditor contou que esse modelo de atuação foge do habitual nos tribunais de contas, que costumam ser vistos como "órgãos de gabinete, distantes da realidade e focados na conformidade legal". Mas o TCU vem se adaptando ao espírito do tempo, ressalta, e compreendendo que o valor público só é gerado quando o controle chega na ponta e muda a realidade do cidadão. O maior desafio desse projeto, disse Ziller, é manter os fiscais cívicos mobilizados, pois ainda não existe uma cultura forte de participação cidadã no Brasil.
Terceiro painelista a falar, Renato Costa, auditor do Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina (TCE-SC), explicou sua tese de doutorado "Controle aberto: proposta conceitual e agenda para os tribunais de contas brasileiros", desenvolvida na Udesc. A pesquisa sobre as capacidades institucionais desses tribunais revelou que participação e inovação representam as maiores oportunidades de evolução do modelo e são essenciais para fortalecer a legitimidade, a confiança e o valor público.

Lições aprendidas
Além disso, Costa afirmou que o controle está mudando de controle centrado na conformidade para controle orientado à geração de valor público. Ele acrescentou, ainda, que, nessa lógica, a sociedade deixa de ser mera destinatária para se tornar parceira, coprodutora do controle.
Por fim, a secretária de Transparência e Accountability no município de Brusque (SC), Victória Vilvert Costa, falou sobre a sua experiência em controle social e como levou isso à atual posição na prefeitura. Segundo ela, na busca por entender como transformar a experiência com participação cidadã em uma política pública permanente, criou o framework do ecossistema municipal para governança participativa.
"A inovação é fazer com que a participação cidadã passe a integrar a arquitetura permanente da governança pública. Esse é o diferencial e é o que as macrofunções de controle vêm trazendo nos últimos anos", afirmou a secretária.

Victória citou as grandes lições que aprendeu sobre participação cidadã. A primeira é que a participação cidadã não acontece espontaneamente, sempre precisa que o estado crie as condições para isso. A segunda é que a inovação não é sinônimo apenas de tecnologia, mas significa novas formas de relacionamento entre o estado e a sociedade, fortalecendo os laços de confiança. E a terceira lição é que o controle social produz inteligência para a gestão.
O próximo e último webinário da série Participação Cidadã, "Aprendendo conjuntamente entre tribunais de contas e sociedade civil para um controle público mais efetivo", será realizado no dia 4 de agosto, às 15h. As inscrições podem ser realizadas aqui, por meio do portal do ISC.
Assista aqui aos cinco webinários já realizados:
1° Webinário - A participação cidadã como dimensão estratégica para o controle externo
2° Webinário - Cidadãos e auditores juntos no acompanhamento de obras públicas
3° Webinário - Participação cidadã no planejamento anual das auditorias nos Tribunais de Contas brasileiros: uma perspectiva comparada
5° Webinário - Inovação no Controle: experiências de Tribunais de Contas e suas interações
Serviço:
Secom: IK/pc
Atendimento à imprensa - e-mail: imprensa@tcu.gov.br
Atendimento ao cidadão - e-mail: ouvidoria@tcu.gov.br