TCU examina modelo de TI das universidades e institutos federais
Tecnologia da Informação nas instituições apresenta fragmentação da infraestrutura, fragilidades na governança e falta de dados confiáveis sobre gastos
Por Secom
Resumo
- O TCU fiscalizou o modelo de operação de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) usado pelas universidades e institutos federais do Brasil.
- A auditoria identificou quatro problemas principais: fragmentação da infraestrutura e das contratações de TI, falta de sistema de governança eficiente, fragilidade na distribuição de servidores especializados e ausência de informações confiáveis sobre gastos com tecnologia.
- O Tribunal fez recomendações aos órgãos envolvidos.
O Tribunal de Contas da União (TCU) realizou fiscalização para avaliar se o modelo de operação de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) usado pelas universidades e institutos federais do Brasil garante a continuidade dos serviços essenciais para ensino, pesquisa, extensão e gestão universitária.
A auditoria aconteceu entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026 e analisou 110 Instituições Federais de Ensino (Ifes), que incluem 69 universidades e 41 institutos federais, além de Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefets) e o Colégio Pedro II. O trabalho foi baseado em cinco áreas principais: governança, pessoal, orçamento, sistemas e infraestrutura. A metodologia envolveu aplicação de questionários, inspeções no Ministério da Educação (MEC) e no Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), e consultas a entidades como Andifes e Conif, que representam as instituições, mas não têm poder normativo sobre elas.
O tema é importante porque essas 110 instituições atendem milhões de alunos em todo o Brasil e movimentam grandes somas financeiras. Só em 2025, o orçamento de TIC dessas instituições foi de R$ 239 milhões.
A auditoria identificou quatro problemas principais: fragmentação da infraestrutura e das contratações de TI, falta de um sistema de governança eficiente, fragilidade na distribuição de servidores de TI e ausência de informações confiáveis sobre os gastos com tecnologia.
Primeiro, foi constatado que as Ifes tomam decisões de TI de forma isolada, mesmo tendo missões semelhantes. Isso gerou uma gestão fragmentada, com 225 datacenters próprios, muitos deles antigos e sem segurança adequada. Além disso, a maioria das instituições não usa serviços de nuvem e prefere investir em estruturas próprias, o que sai mais caro do que soluções compartilhadas. O mesmo problema ocorre nas contratações: cada instituição faz compras separadas para adquirir os mesmos produtos e serviços, como sistemas acadêmicos e plataformas de ensino a distância. Isso impede que se aproveitem economias de escala, ou seja, que se gastem menos recursos ao comprar em conjunto.
Outro problema é a dispersão das decisões de TI dentro das próprias instituições. Em muitos casos, elas têm autonomia para gerenciar seus próprios recursos e pessoal, mas sem coordenação com a unidade central de TIC, o que dificulta a governança. Além disso, não há mecanismos eficazes para medir os resultados das ações, o que impede a definição de prioridades e a correção de problemas.
A auditoria também apontou que os servidores de TI estão mal distribuídos. Cerca de um terço deles estão alocados em tarefas operacionais, como suporte técnico, quando poderiam estar em funções mais estratégicas, como segurança da informação e desenvolvimento de sistemas. Além disso, o custo de manter servidores efetivos em funções de suporte é maior do que terceirizar essas atividades, o que seria permitido pela legislação. A ausência de política clara para organizar as equipes de TI contribui para o problema, já que cada instituição acaba alocando pessoal de forma imediatista, sem pensar em estratégias de longo prazo.
Por fim, o relatório destacou que as Ifes não têm informações claras e padronizadas sobre os gastos com TI. Houve grande diferença entre os valores declarados pelas instituições e os registrados oficialmente no Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (Siop). Por exemplo, em 2024, as Ifes declararam gastos de R$ 295 milhões, enquanto o sistema oficial registrou apenas R$ 197 milhões. Além disso, 80 das 110 instituições não têm orçamento específico para TI, o que dificulta saber exatamente quanto é investido na área. Isso prejudica o planejamento, a prestação de contas e o controle social, além de dificultar a avaliação do retorno dos investimentos em tecnologia.
Em resumo, o relatório mostrou que a falta de coordenação e padronização na gestão de TI das Ifes gera ineficiências e problemas que afetam diretamente a qualidade do ensino, da pesquisa e da gestão universitária.
Em consequência do trabalho, o TCU recomendou ao Ministério da Educação, em conjunto com a Secretaria de Governo Digital do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (SGD/MGI) e em articulação com a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e com o Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif), que adotem as medidas necessárias para solucionar os problemas encontrados.
O relator do processo é o ministro Benjamin Zymler.
SERVIÇO
Leia a íntegra da decisão: Acórdão 1944/2026 - Plenário
Processo: TC 015.680/2025-8
Sessão ordinária: 22/7/2026
Secom - SG/pc
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