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Dos autorretratos à tela Operários: os olhares de Tarsila em núcleos

Em cartaz no Centro Cultural TCU, exposição "Transbordar o mundo: os olhares de Tarsila do Amaral" apresenta obras emblemáticas que atravessam diferentes fases da artista

Por Secom

Em cartaz no Centro Cultural TCU até 10 de maio, a exposição "Transbordar o mundo: os olhares de Tarsila do Amaral" reúne mais de 60 obras originais de uma das principais artistas brasileiras.

Apesar de apresentar trabalhos que vão dos primeiros estudos e retratos, passando pela fase Pau-Brasil e Antropofagia até chegar à fase social, a mostra não propõe um percurso cronológico, mas reflete os deslocamentos do olhar da artista ao longo de sua trajetória.

Com curadoria de Karina Santiago, Rachel Vallego e Renata Rocco, o projeto coloca Tarsila como um "corpo-em-obra", cuja produção atravessa as principais inquietações estéticas, sociais e políticas do século XX. As curadoras narram essa história a partir de quatro núcleos: Estar no mundo, Olhar o mundo, Mergulho onírico e Olhar o outro.

Recortes curatoriais

O primeiro, que traz estudos iniciais da artista, revela como Tarsila descobre na pintura sua principal testemunha de estar no mundo - uma compreensão de si mesma e de seu lugar como pintora.

São experiências vividas transformadas em exercício sensível de observação e elaboração, que evidenciam a descoberta e a influência de diversos estilos e tendências. Entre os destaques deste núcleo estão as obras Autorretrato com vestido Laranja, de 1921, e Autorretrato I, de 1924. Neste, a artista já se apresenta de modo figurativo e moderno, afirmando seu lugar como pintora e mulher moderna no mundo.

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Como o nome diz, Olhar o mundo coloca a artista, em posse dos conhecimentos adquiridos e desenvolvidos até então, observando atentamente os mundos que a cercam: a São Paulo em acelerado processo de modernização; a Paris efervescente de artistas e intelectuais; a fazenda e suas paisagens interioranas; e, de modo decisivo, as manifestações religiosas, centrais tanto em sua formação quanto nas viagens às cidades históricas.

Essa pluralidade que cercava Tarsila fica evidente na diversidade dos trabalhos do núcleo, tais como: Estrada de ferro - Central do Brasil (1924), Retrato de Mario de Andrade (1923), Retrato de Oswald de Andrade (1923), Palmeiras (1925) e Estudo de A Negra (1923). Eles evidenciam o exercício contínuo do olhar: observar, absorver, gestar e devolver plasticamente ao mundo os frutos desse labor.

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No terceiro núcleo da exposição, Mergulho onírico, surge um mundo de cores e formas fantásticas. Aqui, os aprendizados se convertem em uma linguagem figurativa altamente imaginativa, criando obras que sugerem paisagens, lugares e seres sem correspondência direta com a realidade natural.

Além disso, é possível observar, a partir dos trabalhos escolhidos, que vão de 1929 a 1960, uma retomada e uma recombinação de formas, temas e atmosferas, evidenciando uma operação recorrente na produção de Tarsila. Duas obras que marcam bem esse recorte curatorial sãoFloresta (1929) e A Calmaria II (1929).

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Embora sempre interessada em retratar pessoas, em Olhar o outro Tarsila destaca o coletivo. Neste núcleo, estão reunidas obras em que a artista representa trabalhadores em atividade. Os títulos das pinturas deixam de lado o universo fantasioso do recorte anterior para explicitar funções, condições e lugares sociais.

Longe de registros neutros, essas telas - como Operários (1933) e Segunda Classe (1923) ", evidenciam questões centrais de seu tempo, como o trabalho, a miscigenação e o papel da mulher, convocando o espectador a confrontar diretamente o outro representado.

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O Brasil imaginado por Tarsila do Amaral

Em conjunto com o trabalho desenvolvido por Karina Santiago, Rachel Vallego e Renata Rocco, uma sala imersiva coloca o visitante dentro do universo imagético de Tarsila do Amaral.

Licenciado pela Tarsila do Amaral Licenciamento e Empreendimentos S.A. e desenvolvido pela empresa Live Idea, o espaço imersivo tem curadoria de Paola Montenegro, sobrinha-bisneta de Tarsila do Amaral e diretora da Tarsila S.A., em parceria com Juliana Miraldi.

Unindo arte e tecnologia, o projeto convida o visitante a acessar sensivelmente o imaginário de uma artista central para a história da arte brasileira, que não apenas representou o Brasil, mas o reinventou. A narrativa é conduzida a partir de O Sapo (1928) e percorre um trajeto que atravessa pinturas, como Cartão postal (1929), A Cuca (1924), Sol poente (1929), Abaporu (1928), O sono (1928) e Antropofagia (1929).

"Transbordar o mundo: os olhares de Tarsila do Amaral¿ conta com patrocínio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) - instituição pertencente ao estado brasileiro - e do Banco BRB (BRB), e apoio do Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo (Sindilegis).

Serviço

Transbordar o mundo: os olhares de Tarsila do Amaral

Visitação: até 10 de maio de 2026 Entrada gratuita

Local: Centro Cultural TCU - Brasília/DF

Setor de Clubes Sul, Trecho 3

Secom: ISC/pc

Atendimento à imprensa - e-mail: imprensa@tcu.gov.br

Atendimento ao cidadão - e-mail: ouvidoria@tcu.gov.br