Obra do acervo do TCU ganha nova apresentação na exposição "Festa de Luz"
Antes de compor a mostra, a obra "279 dominós decrescentes", de José Patrício, passou por processo de reintegração para preservar sua história e ampliar seus significados
Por Secom
Antes de ocupar lugar na galeria, toda obra percorre um caminho de cuidado, pesquisa e conservação. Foi assim com "279 dominós decrescentes" (2003), de José Patrício, que integra a exposição "Festa de Luz: as festas populares e a arte brasileira" e faz parte do acervo do Tribunal de Contas da União (TCU).
O trabalho transforma mais de 8 mil peças de dominó em uma grande composição visual, na qual ritmo, repetição e movimento revelam novas possibilidades para um objeto tão familiar.
Parte do acervo do Tribunal, a obra passou, antes de chegar à Galeria Marcantonio Vilaça, por cuidadoso processo de reintegração realizado pela equipe do Centro Cultural TCU no Laboratório de Conservação e Restauro.
O procedimento corresponde a uma intervenção restaurativa por meio da qual partes faltantes são reincorporadas ao conjunto da obra, favorecendo sua leitura e compreensão a partir do reestabelecimento de sua integridade e estabilidade física, antes afetadas.

Comunitário e popular
Mais do que um jogo, o dominó faz parte da memória afetiva de muitas famílias e comunidades, sendo um elemento presente na cultura popular brasileira, transmitido de geração em geração.
"Quando a gente pensa como esse conhecimento das instruções do jogo é perpassado, ele é passado de maneira oral, e essa oralidade sempre vem do mais antigo para o mais novo, ou então alguém que já detém o conhecimento. Da mesma forma, é um jogo comunitário e familiar, que promove essas circularidades e interseções, de certa forma até se tornando um patrimônio popular. Quando a gente pensa no próprio urbanismo, nas praças que têm ali um lugar para você jogar xadrez, damas, dominó", detalha o coordenador das ações educativas do Centro Cultural TCU, Arhur Gomes Barbosa.
Entre as muitas possibilidades de leitura do trabalho, Barbosa pontua o movimento espiralar do quadro, que começa a partir de um ponto vazio e vai das peças de maior número para as de menor, permitindo criar uma ligação com a ancestralidade. "É pensar quem veio antes de você para fazer com que você esteja neste lugar aqui e agora", acrescenta.
Sobre o artista
Nascido em Recife, em 1960, José Patrício iniciou sua trajetória profissional como servidor público. Durante esse período, manteve sua produção artística, embora em menor escala devido à limitação de tempo. A participação na 22ª Bienal de São Paulo (1994) representou um marco em sua carreira, permitindo que seu trabalho alcançasse projeção nacional e internacional. A partir desse momento, passou a realizar exposições individuais e consolidou seu reconhecimento no circuito artístico.

Cotidiano em arte
O artista utiliza objetos do cotidiano para criar as obras, como dados, dominós e botões, organizando-os em padrões geométricos e orgânicos. Por meio da matemática, ele emprega fórmulas e cálculos para desenvolver composições com uma grande variedade de padrões visuais. Para Patrício, suas composições são "pinturas numerosas", elaboradas a partir da organização de pequenos objetos semelhantes.
No final da década de 1990, o artista passou a buscar elementos que substituíssem o papel como suporte para suas obras. Interessado em materiais acessíveis e de baixo custo, encontrou nos dominós um item capaz de ampliar suas possibilidades criativas. Foi então que iniciou uma série de trabalhos com essas peças, estabelecendo um diálogo com a arte abstrata.
Em suas criações, Patrício utiliza tanto as cores originais do brinquedo quanto eles pintados, preservando e evidenciando a textura do dominó. A partir da combinação entre cálculos matemáticos e da organização desses elementos, ele explora inúmeras possibilidades de padrões e composições, criando obras marcadas pela repetição e por um efeito visual hipnotizante.
Celebrações populares
Em cartaz no Centro Cultural TCU até 12 de setembro, a exposição "Festa de Luz: as festas populares e a arte brasileira" reúne pinturas, esculturas, cerâmicas, xilogravuras, fotografias e instalações de artistas como Alfredo Volpi, Alberto da Veiga Guignard, Beatriz Milhazes, Américo Poteiro, Galeno e Roxinha Lisboa.
Com curadoria de Marcus de Lontra Costa e Rafael Fortes Peixoto, a mostra trata as celebrações populares do Brasil não como experiências tradicionais isoladas, mas como forças estéticas, memórias coletivas e afirmações de identidade.
A visitação é gratuita e aberta ao público. O Centro Cultural TCU funciona de terça a domingo, das 9h às 18h.
Serviço:
- Exposição "Festa de Luz: as festas populares e a arte brasileira¿
- Visitação até 12 de setembro, de terça a domingo, das 9h às 18h
- Entrada gratuita
- Local: Centro Cultural TCU (St. de Clubes Esportivos Sul Trecho 3)
- Informações: (61) 3527-5221 / Instagram: @centroculturaltcu
Secom: ISC/pc