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Painel de referência debate solução consensual para impasse sobre campo do pré-sal

Encontro promovido pelo TCU discutiu alternativas para encerrar controvérsia que envolve delimitação do Campo de Tupi e impacta setor de óleo e gás

Por Secom

O Tribunal de Contas da União (TCU) realizou, nesta quinta-feira (21/5), o Painel de Referência da Comissão de Solução Consensual do Contrato de Exploração de Petróleo BM-S-11. O encontro reuniu representantes do setor público, empresas, especialistas e entes federativos para debater caminhos para superar a controvérsia sobre a delimitação do Campo de Tupi, principal região produtora de petróleo e gás natural do pré-sal brasileiro.

A controvérsia, que se arrasta desde 2010, envolve divergências técnicas, jurídicas e regulatórias sobre a delimitação dos campos de Tupi e Sernambi, localizados na Bacia de Santos, no litoral do estado do Rio de Janeiro. O tema foi levado ao TCU pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), com concordância do consórcio formado pela Petrobras, Shell Brasil e Petrogal Brasil.

Na abertura do evento, o presidente do Tribunal de Contas da União, Vital do Rêgo, afirmou que o debate trata de um ativo estratégico para o país. "O Campo de Tupi não é apenas um conjunto de poços e plataformas. É o maior produtor de petróleo e gás do Brasil, representando uma parcela significativa da nossa produção nacional", disse o ministro. Para ele, a discussão ultrapassa aspectos contratuais e envolve impactos diretos no desenvolvimento econômico e social do país. "Estamos falando de recursos que financiam o desenvolvimento, que geram empregos e que impactam diretamente a vida de milhões de brasileiros", acrescentou.

vital do rego

O presidente do TCU também defendeu a consensualidade como alternativa ao prolongamento do litígio. "Diante de uma controvérsia dessa magnitude, o caminho mais tradicional seria uma batalha longa, custosa e muitas vezes paralisante. Mas este Tribunal acredita que o diálogo é uma ferramenta poderosa para construir soluções duradouras e profundamente estáveis", ponderou. Vital do Rêgo observou ainda que o objetivo do painel foi ouvir contribuições da sociedade e de especialistas para construir uma solução tecnicamente robusta, juridicamente segura e economicamente viável.

O diretor-geral da ANP, Artur Watt Neto, chamou atenção para a complexidade do caso e avaliou que não há segurança sobre o desfecho de uma eventual disputa judicial ou arbitral. "Esse caso é um lead case, um caso muito difícil e complexo, que envolve interpretações distintas do contrato, da legislação e da própria geologia subjacente", explicou. Conforme o diretor-geral, o prolongamento do conflito pode comprometer investimentos necessários para a continuidade da produção no campo. "Chegamos a um ponto em que já se avizinha a necessidade de novos investimentos e de discussão sobre a prorrogação contratual para garantir que o campo continue produzindo e gerando riqueza por muitos anos", observou.

artur watt

Artur Watt acrescentou ainda que a mediação conduzida pelo TCU cria condições favoráveis para uma solução negociada. "A intenção das partes em buscar uma solução consensual demonstra maturidade institucional. Se avançarmos nas negociações, ainda que cada parte preserve suas posições jurídicas, será possível chegar a um termo adequado e benéfico para todos", avaliou.

A diretora executiva de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, lembrou que o Campo de Tupi foi a primeira grande descoberta do pré-sal brasileiro e marcou uma transformação tecnológica e econômica no país. "O Campo de Tupi foi o primeiro campo do pré-sal. Até então, toda a experiência da Petrobras e da ANP estava concentrada na Bacia de Campos. Quando chegamos a Tupi, encontramos uma realidade completamente nova, com reservatórios mais profundos, novas formações geológicas e desafios inéditos", relatou.

sylvia anjos

Sylvia reforçou a defesa de uma solução consensual para garantir previsibilidade regulatória e continuidade dos investimentos. "Buscar uma solução consensual não significa renunciar às convicções técnicas ou jurídicas, mas reconhecer que, diante da complexidade do caso e do tempo já decorrido, o diálogo estruturado é o caminho mais eficiente para reduzir riscos e permitir que todos avancem com mais segurança", argumentou.

O titualar da Secretaria de Controle Externo de Solução Consensual e Prevenção de Conflitos do TCU, Nicola Khoury, enfatizou o papel do diálogo coletivo na construção de soluções para temas complexos. "Acho que é a primeira vez que temos uma apresentação conjunta que mostra efetivamente a busca por solução. Cada parte naturalmente possui sua própria visão, mas o mais importante é a capacidade do coletivo de encontrar uma saída viável para o problema", comentou.

nicola khoury

Khoury frisou ainda que o desafio da consensualidade é encontrar soluções juridicamente sustentáveis, implementáveis e alinhadas ao interesse público. "É preciso construir uma solução que atenda aos interesses públicos e respeite os interesses dos privados, que seja implementável e que considere os impactos para todos os envolvidos, inclusive estados e municípios beneficiários", avaliou.

Durante o painel, representantes da ANP e do consórcio BM-S-11 apresentaram os principais pontos da controvérsia. O debate envolve a interpretação sobre a existência de um ou dois campos petrolíferos na área explorada, questão que impacta diretamente o cálculo da participação especial, que é a compensação financeira paga em função do grande volume de produção e rentabilidade do campo.

De acordo com a ANP, a delimitação do campo influencia diretamente a arrecadação das participações especiais destinadas à União, ao estado do Rio de Janeiro e aos municípios beneficiários. Os valores atualmente controvertidos ultrapassam R$ 23 bilhões, entre depósitos judiciais, garantias e montantes já distribuídos.

Os participantes defenderam que uma eventual solução consensual pode reduzir incertezas regulatórias, antecipar definições sobre investimentos futuros e garantir maior previsibilidade para a produção de petróleo e gás no país. O Painel de Referência integra os trabalhos conduzidos pela SecexConsenso, unidade do TCU especializada em soluções consensuais para controvérsias relevantes da administração pública. O objetivo é reunir contribuições técnicas e institucionais que subsidiem a construção de uma proposta equilibrada e alinhada ao interesse público.

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