Proteção de idosos contra fraudes digitais é tema de evento promovido por TCU e Udesc
Encontro da série "Participação Cidadã" abordou experiência do Tribunal e de organizações parceiras na escuta da sociedade
Por Secom
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O Tribunal de Contas da União (TCU), o Instituto Serzedello Corrêa (ISC) e a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), por meio de seu grupo de pesquisa Politeia, promoveram na terça-feira (9/6) o quarto webinário da série Participação Cidadã. O evento teve como foco a auditoria operacional integrada "Pessoa idosa mais segura: Proteção contra golpes digitais", conduzida pelo TCU em 2025.
Na ocasião, foi abordada a experiência de escuta cidadã realizada pelo TCU em parceria com outras instituições. Como nos demais eventos da série, o Instituto Serzedello Corrêa (ISC) ajudou a viabilizar o encontro.
A professora Paula Schommer, da Udesc, fez a apresentação geral do evento e dos participantes. Ela ressaltou a relevância da série de webinários, tanto para o controle externo e a sociedade quanto para o meio acadêmico.
Por sua vez, o ministro do TCU Augusto Nardes falou na abertura, destacando a importância da auditoria, da qual foi relator.
"O cidadão não tem mais confiança nos telefonemas, naquilo que é digitado. Golpes digitais são frequentes. Por isso, propusemos avaliações cada vez mais fortes nessa área digital, especialmente para os idosos", explicou.
Segundo Nardes, o TCU precisa ajudar a resgatar a confiança pública e a pensar 30, 40 anos à frente. O ministro concluiu afirmando que uma cultura de governança pública é fundamental para o Brasil.
Trabalho conjunto
O coordenador da auditoria Pessoa Idosa Mais Segura, auditor do TCU Tulio Felix Oliveira, contou como foi realizada a escuta cidadã nessa fiscalização. Segundo ele, três atores foram importantes no trabalho conjunto com o Tribunal: a Polícia Civil - incluindo as delegacias voltadas para crimes cibernéticos e para a defesa do idoso ", o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e o Conselho Nacional do Direito da Pessoa Idosa (CNDPI).
Segundo o auditor, a equipe do TCU entrevistou pessoas da terceira idade e, a partir daí, conseguiu determinar a jornada do idoso, desde que é abordado até o momento em que cai no golpe.
"Nosso objetivo foi dar voz ao idoso e, com isso, conseguimos identificar os principais tipos de golpes digitais, os órgãos que atendem melhor a essas vítimas e as principais dificuldades que elas têm", afirmou. "Também trouxemos para o nosso trabalho o relato do cidadão explicando qual é a sua dor", concluiu.

Entre acertos e lições aprendidas, Tulio afirmou que a participação cidadã, de fato, faz diferença tanto para o resultado das fiscalizações do TCU quanto para o olhar dos auditores. Ele ressaltou, porém, que é fundamental planejar essa participação, definindo o melhor mecanismo de coleta de dados.
Na sequência, o palestrante Raphael França, professor da Universidade de Pernambuco (UPE) e coordenador do programa Viva Mais Cidadania Pessoa Idosa, em Recife (PE), falou sobre a importância de toda pessoa ter competência digital crítica. Raphael e seus alunos colaboraram com a auditoria do TCU.
"As pessoas precisam conseguir identificar processos de desinformação, interferências, fraudes e crimes digitais que têm se alastrado. Como demonstram dados do Serasa do ano passado, a maior parte dos golpes digitais são contra pessoas idosas", disse.

O professor pontuou, ainda, que a sociedade está mudando e que alguns dos processos de mudança provocam exclusão da cidadania das pessoas idosas. Por isso, afirmou, o caminho para proteger os idosos de golpes digitais não seria apenas por meio do letramento digital, mas de uma construção coletiva da tecnologia.
Políticas públicas
A servidora pública Rosemery Souza, coordenadora do Águia, grupo de convivência de pessoas idosas, em Recife, também participou do debate, contando sua experiência no aprendizado de tecnologias digitais. Ela destacou a relevância de poder multiplicar o conhecimento que recebeu sobre o tema para outros idosos.
Última palestrante a participar, Kylvia Martins, conselheira municipal de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa do Recife (Comdir), comentou sobre a relevância de se criarem políticas públicas de qualidade em um país que já envelheceu. Segundo ela, a violência financeira é uma das mais praticadas contra as pessoas idosas no Brasil.
"O idoso que cai em golpe perde a autonomia. Passa a ter vergonha e medo de fazer as coisas sozinho ou a família não deixa mais que ele o faça. E, assim, a pessoa perde saúde e qualidade de vida. Quando ela entende que não é culpada e passa a saber se proteger, isso muda", explicou.
No fechamento do encontro, a professora Paula Schommer destacou a importância da participação cidadã e de auditorias como a do TCU para o desenvolvimento de políticas públicas adequadas ao público idoso.
Confira todos os eventos da série do TCU e da Udesc já realizados:
- 1º webinário - A participação cidadã como dimensão estratégica do controle externo.
- 2º webinário - Cidadãos e auditores juntos no acompanhamento de obras públicas.
- 3º webinário - Participação cidadã no planejamento da fiscalização em tribunais de contas brasileiros: uma perspectiva comparada.
- 4º webinário - Participação cidadã no ciclo de auditorias: o exemplo da "Pessoa Idosa mais Segura: Proteção contra Golpes Digitais¿ conduzida pelo TCU.
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