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TCU avalia execução do orçamento federal no quinto bimestre de 2025

Análise do Tribunal verificou fluxo de caixa deficitário, com governo dependente de empréstimos para cobrir despesas correntes

Por Secom

Resumo

  • O TCU fez acompanhamento para avaliar os resultados fiscais e a execução do orçamento do governo federal no quinto bimestre de 2025.
  • O trabalho constatou frustração de receitas de R$ 94,5 bilhões, gasto governamental de R$ 25 bilhões a mais que o previsto, e fluxo de caixa operacional deficitário em R$ 185 bilhões.
  • Isso indica que o governo depende cada vez mais de empréstimos para cobrir despesas correntes.

O Tribunal de Contas da União (TCU) fez acompanhamento para avaliar os resultados fiscais e a execução do orçamento e das finanças do governo federal no quinto bimestre de 2025. A auditoria teve como referência as regras da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e outras normas específicas, e focou três pontos principais: receitas, despesas e cumprimento de metas fiscais.

Receitas

O TCU verificou se as projeções de arrecadação de dinheiro feitas pelo governo eram realistas. Constatou-se que houve frustração de receitas de R$ 94,5 bilhões, ou seja, o governo arrecadou menos do que esperava. Porém, parte desse problema foi compensada por arrecadação maior em impostos, como o imposto de renda e sobre operações financeiras, reduzindo o déficit para R$ 29 bilhões.

Apesar disso, o gasto tributário (descontos e isenções de impostos) foi muito alto, chegando a R$ 544 bilhões, o que agravou a situação. Ademais, a previsão de crescimento do PIB (que influencia diretamente a arrecadação) feita pelo mercado foi menor do que a estimativa do governo, indicando que pode haver dificuldade em atingir as metas de receita.

Despesas

O Tribunal também analisou se as projeções de gastos do governo eram viáveis. A auditoria constatou que o governo gastou R$ 25 bilhões a mais do que o previsto, principalmente com benefícios previdenciários, BPC (Benefício de Prestação Continuada) e créditos extraordinários. Por outro lado, houve economia em outras áreas, como gastos com pessoal, que ficaram R$ 8,5 bilhões abaixo do esperado. No geral, as despesas primárias (gastos essenciais) foram consideradas factíveis, ou seja, dentro de uma margem aceitável.

Metas fiscais

A previsão inicial para 2025 era de déficit primário (quando os gastos superam as receitas, sem contar os juros da dívida) de R$ 29,5 bilhões, mas a estimativa atual subiu para R$ 75,7 bilhões, uma diferença de R$ 46,2 bilhões. Efetuados os descontos permitidos (em decorrência da Lei Complementar 221/2025 e das decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade 7.047 e 7.064 e na Arguição de Descumprimento de Preceitos Fundamentais 1.236), chega-se a um resultado primário formal, para fins de cumprimento de meta, de R$ 31,2 bilhões de déficit.

Além disso, o balanço financeiro do governo mostrou descapitalização de R$ 167 bilhões e um alto nível de endividamento. O fluxo de caixa operacional (dinheiro disponível para pagar as contas) está deficitário em R$ 185 bilhões, o que indica que o governo depende cada vez mais de empréstimos para cobrir despesas correntes, em um cenário de juros altos (taxa Selic elevada).

O déficit da previdência chegou a R$ 404,9 bilhões, pressionando ainda mais o orçamento. As empresas estatais também contribuíram negativamente, com déficit estimado em R$ 15,9 bilhões. Apesar disso, o governo tomou medidas para limitar gastos, como a redução de empenhos e movimentações financeiras, totalizando R$ 119,6 bilhões em cortes.

Na avaliação do relator do processo, ministro Benjamin Zymler, "somente quando houver melhoria no resultado primário - parâmetro eleito pelas LDO para balizar a política fiscal e o objeto dos acompanhamentos realizados pela Secretaria do Tesouro Nacional ", será possível minorar a dependência do governo federal em relação às operações de crédito¿.

O relator destacou ainda que o governo central registra resultados primários negativos desde 2014, à exceção do exercício de 2022, de modo que a convergência para uma trajetória de estabilização da dívida, considerada a relação dívida bruta do governo geral/Produto Interno Bruto, exigirá maior disciplina fiscal e será favoravelmente impactada pelo crescimento econômico do país.

SERVIÇO

Leia a íntegra da decisão: Acórdão 1065/2026 - Plenário

Processo: TC 021.644/2025-0

Sessão Ordinária: 29/4/2026

Secom - SG/pc

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